A indução
Definição FATO
A indução demonstra que uma propriedade P(n) vale para todo inteiro a partir de um índice n0, por meio de apenas duas verificações:
| Etapa | O que se mostra |
|---|---|
| Caso base | P(n0) é verdadeira |
| Passo indutivo | Se P(n) é verdadeira, então P(n+1) também |
Esses dois pontos estabelecem infinitos enunciados. Aí está sua força: nunca se verifica mais que um caso e uma implicação.
Uma imagem, e seu limite ANALOGIA
Uma fila de dominós: derrubar o primeiro, e garantir que cada um derrube o seguinte, basta para que todos caiam.
A imagem acerta no mecanismo e erra no alcance. Uma fila de dominós é finita e a queda leva tempo; a indução versa sobre infinitos índices e não se desenrola. Ela não narra uma propagação, prova uma propriedade.
Um exemplo levado até o fim FATO
Mostremos que a soma dos n primeiros inteiros vale 2n(n+1).
Caso base. Para n=1: a soma vale 1, e 21×2=1.
Passo indutivo. Suponhamos a fórmula verdadeira no índice n. Então:
1+2+⋯+n+(n+1)=2n(n+1)+(n+1)=2n(n+1)+2(n+1)=2(n+1)(n+2)
É a fórmula no índice n+1. As duas etapas se sustentam, logo a propriedade vale para todo n≥1.
As duas etapas são necessárias FATO
O passo indutivo sozinho nada prova. Tomemos P(n): «n=n+1».
Essa propriedade é hereditária: se n=n+1, somando 1 aos dois lados obtém-se n+1=n+2. O passo se propaga perfeitamente — e a propriedade é falsa para todo inteiro, porque nenhum índice a inicia.
O caso base sozinho tampouco basta: uma propriedade pode ser verdadeira em 1 e falsa depois.
Indução forte FATO
Certas demonstrações reclamam mais que o índice anterior. A indução forte supõe P(k) para todos os k≤n, e não apenas para n.
Serve quando o passo apela a um índice bem anterior — decompor um inteiro em fatores primos, por exemplo, remete a dois fatores menores quaisquer, não ao predecessor.
Resumo
Um ponto de partida e um passo que se propaga demonstram infinitos casos; nenhum dos dois é dispensável.
