O custo de oportunidade
Definição FATO
Uma hora livre: passá-la lendo ou dormindo. Escolher a leitura é renunciar ao sono — e essa renúncia é o custo real da hora de leitura, ainda que nenhuma quantia tenha sido paga.
O custo de oportunidade de uma escolha é o valor da melhor opção à qual essa escolha faz renunciar.
Não se trata do total das opções descartadas, mas da mais bem valorizada dentre elas — a classificada em segundo lugar quando se reteve a primeira. A razão é que essas opções se excluem: de todo modo só se poderia ter retido uma, e somá-las equivaleria a julgar-se privado do que jamais se poderia ter obtido junto. Renunciar a dez possibilidades cuja melhor valia 100 € custa 100 €, e não a soma das dez.
Esse custo nasce da escassez. Um recurso disponível sem limite não forçaria arbitragem alguma: escolher então não custaria nada. Mas o tempo permanece limitado — e é porque os recursos são limitados que escolher é necessariamente renunciar.
O custo não se reduz à despesa FATO
O custo de uma decisão não se limita às quantias pagas. Estas fazem parte dele — o dinheiro desembolsado também tinha outros empregos — mas não o esgotam: o que a contabilidade não registra conta igualmente.
| O que a contabilidade registra | O que o custo de oportunidade acrescenta | |
|---|---|---|
| Natureza | Quantias efetivamente pagas | Valor da melhor opção descartada, nunca faturado |
| Onde se acha | Numa fatura | Não contabilizado, mas muitas vezes estimável a partir de um preço de mercado |
| Pode ser nulo | Sim | Sim, se nada de valor for descartado |
| Tempo não remunerado | Ignorado | Contado |
Uma hora dedicada a estudar não supõe despesa alguma. Se a melhor outra maneira de empregar essa hora era dormir, seu custo de oportunidade é o valor que essa hora de sono teria tido.
Do mesmo modo, um recurso já possuído não é gratuito. Um imóvel de que se é proprietário não figura em nenhuma fatura de aluguel, mas ocupá-lo impede alugá-lo: se a melhor outra opção é alugá-lo, seu custo de oportunidade é o aluguel que dele se poderia tirar, deduzidas as despesas de colocação no mercado.
O que ele exclui: o custo irrecuperável FATO
Um custo irrecuperável é uma despesa já comprometida e impossível de recuperar, qualquer que seja a decisão tomada em seguida.
Sendo idêntico em todos os ramos da escolha, ele não pode separá-los: anula-se no cálculo e não deveria, portanto, pesar em decisão alguma. Levá-lo em conta — prosseguir um compromisso medíocre porque nele já se investiu demais — falseia a arbitragem, pois nenhuma decisão presente pode modificar o passado.
Só contam as consequências que diferem de uma opção para outra.
Lucro contábil e lucro econômico FATO
O lucro contábil é a receita menos as quantias pagas. O lucro econômico subtrai ainda o valor da melhor alternativa descartada.
Uma atividade pode, portanto, apresentar lucro contábil positivo e lucro econômico negativo: ela dá dinheiro e continua perdedora no sentido econômico, porque os mesmos recursos rendiam mais em outro lugar.
Formulação FATO
Para um conjunto de ao menos duas opções mutuamente exclusivas, de valores V1,…,Vn líquidos das quantias que exigem e medidos numa mesma escala, o custo de oportunidade da escolha i escreve-se:
Ci=j=imaxVj
— ou seja, o maior valor entre todas as opções distintas da retida.
A escolha não é desvantajosa quando Vi−Ci≥0, e é estritamente vantajosa quando Vi−Ci>0; na igualdade, a opção retida e a melhor descartada equivalem-se. Quando esses valores são montantes monetários, essa diferença é o lucro econômico.
A fórmula supõe três coisas: que as opções sejam realmente exclusivas, que seus valores sejam comparáveis numa mesma escala e que sejam conhecidos — sob incerteza, comparam-se valores ponderados por sua probabilidade. Fora dessas condições, a fórmula já não se aplica tal como está.
O custo de oportunidade é antes de tudo uma norma de raciocínio: diz o que seria preciso comparar. Saber se quem decide a ela se conforma é uma questão distinta, e empírica.
As decisões reais conformam-se a ela? HIPÓTESE
Dois desvios foram descritos. A negligência do custo de oportunidade: as alternativas que não são apresentadas explicitamente são muitas vezes omitidas da comparação. O viés dos custos irrecuperáveis: uma despesa passada pesa na decisão quando dela deveria estar ausente.
Esses desvios são observados de forma repetida, mas sua amplitude varia conforme os protocolos e as populações, e seu alcance fora do laboratório permanece discutido. Não se situam, portanto, no mesmo nível de certeza que a definição em si.
Resumo
O custo de oportunidade de uma escolha é o valor da melhor opção à qual ela faz renunciar — nem a quantia gasta, nem o total das opções descartadas.
